Se a sua empresa está no Simples Nacional, há uma mudança recente que merece atenção imediata — e não é exagero dizer que ela pode redefinir o seu planejamento tributário para 2027.
A Comitê Gestor do Simples Nacional publicou a Resolução nº 186/2026 e, com ela, alterou um ponto sensível da rotina empresarial: o momento da opção pelo regime. Até então, a escolha era feita em janeiro e produzia efeitos no mesmo ano-calendário. Agora, o jogo virou. A opção passa a ser feita em setembro, com efeitos projetados para o ano seguinte.
Traduzindo sem rodeios: a decisão que antes era quase reativa — tomada no calor do início do ano — passa a ser estratégica e antecipada. Optar em setembro de 2026 significa definir, desde já, como sua empresa será tributada ao longo de todo o ano de 2027.
Mas o ponto mais delicado não está apenas na mudança de calendário. Ele está no conteúdo da decisão.
No momento da opção pelo Simples, o contribuinte também deverá escolher como irá se posicionar diante do novo modelo de tributação sobre o consumo trazido pela reforma: apurar o IBS/CBS (o chamado “IVA brasileiro”) dentro do próprio Simples ou fora dele, pelo regime regular.
E aqui não há espaço para chute.
Essa escolha exige uma análise técnica profunda da estrutura do negócio: margem de lucro, cadeia de fornecedores, perfil de clientes, aproveitamento de créditos, carga efetiva em cada cenário. Dependendo da configuração da empresa, permanecer no Simples pode deixar de ser vantajoso — ou continuar sendo a melhor alternativa. O problema é que, sem estudo, qualquer decisão vira um tiro no escuro. E, nesse caso, errar o alvo custa caro.
A reforma tributária trouxe uma promessa de simplificação, mas a transição está longe de ser simples. Para quem está no Simples Nacional, ela adiciona uma camada extra de complexidade justamente no momento da escolha do regime.
O empresário que tratar essa decisão como mera formalidade burocrática provavelmente vai descobrir, tarde demais, que antecipou um problema para o ano inteiro. Já aquele que encara a opção como o que ela realmente é — uma decisão estratégica — passa a usar o tributo como ferramenta de gestão, e não como surpresa desagradável.
A pergunta, então, não é se você vai optar. Isso é inevitável. A pergunta é: você vai decidir com base em dados ou em suposição?
Porque, no novo cenário, escolher mal em setembro é carregar o erro durante todo o ano seguinte.