A resposta ao título deste texto é um retumbante NÃO!!!
Está em curso uma singela alteração do Imposto sobre a Renda Pessoa Física, em especial em relação a uma simbólica atualização das faixas de isenção e a criação de uma incidência sobre altas rendas, o que soa como um substituto do IGF – Imposto sobre Grandes Fortunas. Nada além disso.
Vamos aos detalhes.
A Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o PL 1.087/2025, que vai à votação no plenário.
O texto aprovado traz dois eixos principais:
A partir de 2026:
Entra em vigor para o ano-calendário de 2026:
Segundo o relator e os especialistas ouvidos nas audiências públicas, o Brasil tributa pesadamente os assalariados, mas oferece isenção a grandes rendimentos de capital, criando uma distorção fiscal. A proposta visa amenizar essa regressividade, aproximando-se de modelos adotados por países da OCDE, como o Alternative Minimum Tax (AMT) dos EUA.
Enquanto trabalhadores com renda de até R$ 40 mil mensais pagam até 14% de IR, o 0,1% mais rico do país — que recebe majoritariamente dividendos — paga apenas 2,6%.
O Governo estima que o impacto fiscal da medida importará em renúncia de algo em torno de R$26 bilhões em 2026, que seria compensada com o IRPFM e a tributação de dividendos no exterior, cujo resultado estimado é de algo em torno de R$34 bilhões.
Setores empresariais e representantes de comércio e indústria alertam para:
Entidades como CNI e CNC defendem uma abordagem alternativa: tributar dividendos diretamente a 15% e reduzir a alíquota do IRPJ para 23%, aproximando-se da média da OCDE.
Além disso, municípios demonstraram preocupação com a redução de repasses via FPM, especialmente os de pequeno porte.
Gostemos ou não, o PL 1.087/2025 é a proposta mais concreta de tributação da renda de forma progressiva desde os anos 1990. Ao mesmo tempo em que alivia a carga tributária sobre mais de 16 milhões de brasileiros, enfrenta o tabu da isenção de lucros e dividendos sem derrubar o sistema — optando por uma tributação mínima escalonada.
Resta saber se o projeto sobreviverá ao plenário com seu conteúdo intacto. A guerra política e econômica sobre quem paga a conta da progressividade está apenas começando.